Data de Nascimento:29-02-1892
Nome Verdadeiro:Alfredo Rodrigues Duarte
Data de Falecimento:26-06-1980
País de Origem:Portugal
Aos noventa anos, era ainda uma figura
conhecida da noite lisboeta. Raramente era visto durante o dia e
tinha por hábito percorrer até altas horas da
madrugada as típicas casas de fado. Foi um dos expoentes
máximos da especialidade de todos os tempos, sem nunca se
ter ausentado de Portugal com o objectivo de divulgar a sua
música no estrangeiro, e escassas foram também as
vezes que saíu de Lisboa.
Alfredo Rodrigues Duarte, nome verdadeiro de Alfredo Marceneiro,
nasceu no dia 29 de Fevereiro de 1892, mas devido à
invulgaridade da data, a mãe registou oficialmente a data do
seu nascimento no dia 25 desse mês, a mesma do
aniversário do seu pai.
Foi com a mãe que aprendeu a cantar quando era ainda muito
novo e, com dezassete anos, foi visto pelo público pela
primeira vez, quando participou, vestido de mulher, numa
peça teatral inspirada no filme mudo "A Morte do Duque de
Guise".
Vocacionado para a música, Marceneiro gostaria de ter
estudado, mas a morte do pai em 1906, quando tinha catorze anos,
obrigou-o a aprender um ofício. Antes de se tornar
marceneiro, foi aprendiz de encadernador na oficina de Paulino
Ferreira, actividade que desempenhou apenas para estar perto do
fadista Júlio Janota, que ali trabalhava. Abandonou algum
tempo depois o ofício, uma vez que pouco tempo lhe restava
para o fado.
Tornou-se então marceneiro e o seu primeiro trabalho foi uma
cruz de madeira, que colocou na sepultura do fadista Manuel Rego, o
autor das suas duas primeiras letras. "Alfredo Lulu", como era
também conhecido entre os colegas, pelo rigor com que
cuidava da aparência, conciliava a actividade de marceneiro,
que desenvolvia durante o dia, com as regulares
actuações nocturnas.
Frequentava habitualmente o "Catorze do Rato", uma casa de jogo que
acabou por ser transformada numa casa de fado, onde Marceneiro
cantava acompanhado por piano, bandolim e guitarra, e onde conheceu
o poeta Manuel Soares, que escreveu duas letras propositadamente
para si. Foi também no "Catorze do Rato" que se tornou
famoso por ser o primeiro fadista a cantar de pé, atitude
que adoptou "para eles me verem bem", justificou.
Só nos anos 20 passou a ser conhecido por Alfredo
"Marceneiro", quando assim foi apresentado no cartaz de um festival
organizado por Manuel Soares, Alfredo Correeiro e José
Bacalhau. O fadista foi, juntamente com Armandinho, um dos artistas
fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais
Portugueses, em 1927.
Dois anos depois, realizou a sua primeira experiência
fonográfica, mas a experiência não o
entusiasmou porque preferia o contacto com o público,
próprio das actuações ao vivo.
Reponsável pelo lançamento de artistas como
Hermínia Silva e Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro
editou o seu primeiro disco apenas em 1961, que consistiu numa
colectânea "com o melhor da canção nacional",
intitulada "The Fabulous Marceneiro". Em 1980, subiu pela
última vez ao palco no dia 24 de Junho, para receber a
Medalha de Ouro da Cidade de Lisboa.
O artista faleceu de velhice dois anos depois, na manhã de
26 de Junho, aos 91 anos e, de acordo com uma frase célebre
do fadista, o seu "maior desgosto foi o gramofone, que veio
industrializar o fado".
Em 1989, a Valentim de Carvalho antecipou a
comemoração do centenário do seu nascimento e
editou o duplo álbum "O Melhor de Alfredo Marceneiro". Em
1995, Vítor Duarte, neto de Alfredo Marceneiro,
lançou uma biografia do fadista acompanhada por uma
compilação em CD. O livro conhece uma
edição mais acessível, em formato de bolso, em
Junho de 2001.
Maria João Serra cotonete.clix.pt/.../artistas/home.aspx?id=86







