"Indubitavelmente é uma das grandes referências do fado pela interpreta ção cuidada, sabe dividir os versos, tem dicção, compasso, sendo uma estilista d e excepção", acrescentou Luís de Castro.
Para o estudioso, ouvi-la hoje "é uma lição de fado", opinião partilhad a por José Manuel Osório, para quem este duplo álbum "pode ensinar muito gente q ue anda a cantar, a saber cantar bem".
Fernanda Maria, 69 anos, começou a cantar aos 12 anos, Luís de Castro r ecordou que a fadista era conhecida como "a miúda do Alto Pina" tendo começado n a mesma altura que Tristão da Silva.
Da verbena do Alto Pina, onde cantava, Fernanda Maria passou pela Feira da Palhavã e depois pelas casas tradicionais de fado, nomeadamente a Parreirinh a de Alfama e A Toca, até que no final da década de 1960, abriu a sua casa, "Lis boa antiga", encerrada há cerca de três anos.
"Fadista castiça, como dizemos no meio, a Fernanda, a uma carreira inte rnacional, terá preferido o seu retiro de fado e o convívio com fiéis admiradore s", disse Luís de Castro.
Luís de Castro lamenta o "esquecimento" em que o seu nome caiu, mas ref eriu que ainda hoje os fados criados por si são cantados.
José Manuel Osório afirmou-se "esperançado" que a edição deste álbum "a balance a Fernanda Maria a regressar ao estúdio e gravar".
Do duplo álbum, entre outros fados, refira-se ainda "Fora de horas" (Be lo Marques), "Noite de Inverno (F. Brito/J. Marques), "Passaste" (E. Damas/M. Pa ião) ou "Fado Liró" (Acácio Paiva/Nicolino Milano).
José Manuel Osório qualifica de "notável" a sua interpretação do Liró, que tem raízes prováveis numa marcha carnavalesca brasileira, explicou.
O duplo álbum é acompanhado de uma brochura explicando a "carreira notá vel" da fadista e histórias relativas aos diferentes fados.
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