Nasceu no Porto a 28/9/1924
Aquele que viria a ser uma das mais
carismáticas figuras da noite lisboeta nasceu filho do
Porto, em 1924.
António Maria de
Matos, Tony de Matos para a posteridade.Filho de artistas da
companhia teatral itinerante de Rafael de Oliveira, desde cedo
começou a lidar com os palcos. A oposição
paterna vai contrariar, contudo, o gosto que o jovem tem pelas
cantigas. "Cantar só se fosse na rua, porque meu pai
não queria, de modo algum, que eu seguisse a carreira de
artista", dirá mais tarde.
O seu primeiro trabalho
no mundo artístico não será mais que o
desempenho das funções de ponto na referida
companhia. Mas o desejo de cantar leva-o a Lisboa onde, a pretexto
de um trabalho burocrático, se inicia no mundo das cantigas,
passando no exame da Emissora Nacional.Mas logo regressa ao
convívio de seus pais e, uma noite, numa verbena, decide-se
a cantar o fado.
Causa espanto. Levado ao
Café Luso, encantará tudo e todos e ficará a
actuar, logo ali, dez noites por mês, com um salário
de 50 escudos por noite. Tem 24 anos. Permanecerá dois anos
no Luso, que só abandonará pelos espectáculos
publicitários APA e o Comboio das Seis e Meia, deJosé
Castelo e Igrejas Caeiro.
Ganhando crescente
popularidade graças a estes programas e aos Serões da
Emissora Nacional, Tony de Matos estreia-se em 1952 no teatro de
revista, primeiro em Cantigas Ó Rosa e, depois, em Saias
Curtas. No ano seguinte será a vez do Brasil, primeira
estada que durará seis meses. Após uma visita a
Portugal, marcada por digressões diversas que
incluíram África e a Calecute na India Portuguesa, o
cantor regressa ao Brasil, onde ficará por longos seis anos,
actuando na rádio, na televisão, e sendo
proprietário de "O Fado", pelo qual passaram, como
espectadores, alguns dos nomes maiores do panorama artístico
e literário do Rio de
Janeiro.
Mas 1963
marca a segunda e mais marcante fase da sua carreira, com o
regresso a Portugal, cantando já fora do âmbito
restrito do fado, alargando o seu repertório para a
canção romântica. E é neste estilo que
Tony de Matos vai encontrar o seu lugar único, a ponto de
ser considerado o cantor romântico por excelência, o
intérprete de charme que viria a ser admirado e por
gerações sucessivas, incluindo alguns sectores da
crítica dos anos oitenta, que o consideram percursor de
algumas das linhas de força da música ligeira
moderna. O regresso do "cantor da voz romântica",
designação inventada por Natália Correia,
deve-se, em grande parte, ao sucesso de Só Nós Dois e
Lado a Lado, canções que vão explodir nas
rádios portuguesas. Liquida os negócios no Brasil e
nunca mais voltará. Ficou célebre o seu
espectáculo num Pavilhão dos Desportos completamente
cheio, em 1964. Estreia-se no cinema em A Canção da
Saudade (1964) de Henrique Campos, sendo ainda protagonista em
Rapazes de Táxis (1965) de Constantino Esteves, O Destino
Marca a Hora de Henrique Campos e Derrapagem (1972).Após o
25 de Abril, conotado com o nacional-cançonetismo, prossegue
a sua profissão junto das comunidades de emigrantes no
estrangeiro. A sua carreira conhecerá um novo renascimento a
partir de 1985, ano em que Vitorino Salomé o convida para
cantar a seu lado no Coliseu. De novo os discos e um
espectáculo próprio no Coliseu vão coroar a
vida do grande intérprete, do "cantor de charme", como
gostava de se intitular.
Texto de: Acácio Simões em "atonito.blogspot.com/2007/06/tony-de-matos.html"







